Policial / Segurança

Doze mulheres denunciam pastor e psicólogo por crimes sexuais em RO; caso expõe relatos de duas décadas

Por Juca

Uma sequência de relatos de mulheres que afirmam ter sido vítimas de violência sexual colocou sob investigação o pastor e psicólogo Aluízio Vidal Flor, de 58 anos, em Porto Velho (RO). Em apenas dois meses, 12 mulheres procuraram o Ministério Público de Rondônia (MP-RO) para denunciar o religioso, após o caso vir à tona.

Preso preventivamente desde setembro de 2026, Aluízio foi denunciado à Justiça por crimes de estupro e violação sexual. Segundo o Ministério Público, os relatos apontam para condutas que teriam ocorrido ao longo de aproximadamente duas décadas, em situações nas quais as mulheres buscavam atendimento psicológico ou aconselhamento espiritual.

O caso ganhou dimensão depois que uma das mulheres decidiu romper o silêncio e procurar as autoridades. O depoimento de Mirian Rios, que afirma ter sido vítima durante um atendimento, incentivou outras mulheres a relatarem experiências semelhantes.

“Quando compreendi que poderia haver outras mulheres, escolhi não continuar em silêncio”, declarou Mirian ao g1.

Denúncia começou após tentativa de resolver o caso dentro da igreja

Segundo o relato de Mirian, ela procurou Aluízio para tentar salvar o casamento e confiava nele tanto pela atuação como psicólogo quanto pela posição de pastor e conselheiro espiritual.

A mulher afirma que, durante uma sessão de terapia, o profissional ultrapassou os limites da relação entre psicólogo e paciente. Antes de procurar a Justiça, ela tentou levar as acusações à própria igreja.

O caso foi submetido a um julgamento interno formado por 13 homens, entre presbíteros e representantes da Igreja Presbiteriana do Brasil. De acordo com Mirian, as acusações foram descartadas por falta de provas.

Ao final, conforme o relato, o pastor recebeu uma punição por “falas impróprias”, após admitir comentários sobre o corpo da mulher. Outras condutas denunciadas, incluindo contatos físicos e uma suposta tentativa de beijo, não foram consideradas comprovadas naquele procedimento interno.

Mirian afirma que, em vez de encontrar acolhimento, passou a ser questionada e desqualificada dentro da comunidade religiosa.

A mulher relata ter sido chamada de instável e acusada de ter confundido os sentimentos pelo pastor. Também afirma que foram espalhados comentários ofensivos sobre sua vida pessoal.

Diante da situação, decidiu procurar o Núcleo de Atendimento às Vítimas (Navit), do Ministério Público de Rondônia. A partir daí, as autoridades passaram a apurar criminalmente as denúncias.

Relatos apontam consultório psicológico como cenário dos abusos

De acordo com a denúncia do Ministério Público, o investigado teria se aproveitado da posição de autoridade como psicólogo e pastor para abordar mulheres que procuravam ajuda em momentos de vulnerabilidade emocional.

Entre as situações mencionadas estão crises conjugais, traumas familiares e perdas gestacionais. Os relatos também apontam para episódios ocorridos durante sessões de atendimento psicológico.

Segundo os documentos citados na reportagem do g1, o profissional teria utilizado exercícios apresentados como técnicas de hipnose ou relaxamento durante os atendimentos.

Uma das mulheres ouvidas, identificada como Kamila Fernanda, afirmou que era paciente de Aluízio havia mais de dez anos, entre períodos de acompanhamento e interrupções.

Ela relata que, em uma sessão realizada no ano passado, o psicólogo teria feito comentários de natureza sexual e tentado levantar sua blusa.

As declarações fazem parte dos relatos apresentados pelas mulheres e das apurações em andamento. A responsabilidade criminal do acusado deverá ser definida pela Justiça.

Ministério Público apresentou denúncia envolvendo quatro mulheres

Após a conclusão do primeiro inquérito policial, o Ministério Público ofereceu denúncia com base em relatos de oito mulheres.

Conforme as informações divulgadas, a acusação apresentada à Justiça abrange crimes contra quatro delas: duas por estupro e duas por violação sexual.

Em relação às outras quatro mulheres incluídas no primeiro inquérito, o órgão pediu o arquivamento parcial. Entre os motivos apontados estão a prescrição de parte dos fatos e a impossibilidade de punição por condutas que, na época em que teriam ocorrido, ainda não estavam tipificadas como importunação sexual.

Depois da prisão do investigado, outras quatro mulheres também procuraram as autoridades, dando origem a uma segunda investigação.

O processo tramita sob sigilo judicial, medida que busca preservar informações e a privacidade das pessoas envolvidas.

Defesa afirma acreditar na inocência do pastor

Após a prisão preventiva, a defesa de Aluízio Vidal Flor declarou ao g1 acreditar que as investigações comprovariam a inocência do pastor.

Posteriormente, quando o Ministério Público apresentou a denúncia à Justiça, o advogado foi novamente procurado pela reportagem, mas optou por não se manifestar.

O g1 também procurou representantes da igreja mencionada no caso, que decidiram não comentar as acusações.

Navit oferece acolhimento e orientação às vítimas

O Núcleo de Atendimento às Vítimas do Ministério Público de Rondônia funciona em Porto Velho e presta atendimento especializado a pessoas em situação de violência.

Segundo o MP-RO, o serviço oferece um ambiente protegido para escuta, orientação e encaminhamento, buscando conciliar a apuração dos fatos com o respeito à privacidade e à dignidade das vítimas.

Mulheres que tenham informações sobre o caso ou que desejem denunciar situações de violência podem procurar os seguintes canais em Rondônia:

  • Navit/MP-RO: WhatsApp (69) 99906-6411

  • Navit/MP-RO: ligação (69) 98408-9931

  • Polícia Civil: 197, inclusive para denúncias anônimas

  • Central de Atendimento à Mulher: 180

  • Polícia Militar: 190, em situações de emergência

O caso segue sob investigação e tramitação judicial. Até decisão definitiva, o acusado tem direito à presunção de inocência.

Fonte:pautadiaria

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